Desistência de Compra de Apartamento na Planta: Direitos e Devolução

Comprar um apartamento na planta é uma decisão que envolve planejamento de longo prazo. A construção pode levar anos, e nesse período a vida pode mudar: perda de emprego, mudança de cidade, separação ou simples arrependimento. Nessa hora, saber como exercer a desistência de compra de apartamento na planta é fundamental.

Este guia aborda os direitos na desistência de compra de imóvel na planta, os percentuais de devolução, o procedimento e as situações em que não há multa. Para uma visão ampla, acesse nosso guia de desistência de compra de imóvel.

O que é a desistência de compra de apartamento na planta?

A desistência de compra de apartamento na planta é o cancelamento do contrato de compra e venda de um apartamento em edificação ainda em construção. O comprador manifesta que não deseja mais prosseguir e tem direito à devolução de parte ou da totalidade dos valores pagos, conforme a lei.

A Lei 13.786/2018 (Lei do Distrato) trouxe regras claras e limites para multas e devoluções. Antes dela, as incorporadoras impunham condições muitas vezes abusivas.

A desistência de compra de imóvel na planta aplica-se a apartamentos em condomínios residenciais, comerciais ou mistos, desde que o contrato seja com incorporadora ou construtora.

Percentuais de devolução na desistência de compra de apartamento na planta

A Lei 13.786/2018 estabelece percentuais mínimos de devolução e máximos de multa para a desistência de compra de apartamento na planta:

Situação Multa máxima Devolução mínima
Com patrimônio de afetação 50% 50%
Sem patrimônio de afetação 25% 75%
Atraso > 180 dias da construtora 0% 100%

Ou seja: o comprador nunca pode receber menos do que isso. Cláusulas contratuais que estabeleçam multas maiores ou devoluções menores são nulas.

O que é patrimônio de afetação?

O patrimônio de afetação é um mecanismo que vincula os recursos do empreendimento exclusivamente à construção. Em caso de falência da construtora, o dinheiro dos compradores fica protegido. Em troca, a lei permite multa maior no distrato (até 50%). Sem afetação, a multa é limitada a 25% e a devolução mínima sobe para 75%.

Passo a passo para a desistência de compra de apartamento na planta

1. Reúna a documentação

  • Contrato de compra e venda
  • Aditivos e alterações
  • Comprovantes de pagamento (boletos, transferências, recibos)
  • Prospecto do empreendimento
  • Correspondências com a construtora
  • Documentos que comprovem atraso (se for o caso)

2. Formalize a comunicação

Envie notificação por escrito (carta registrada com AR ou e-mail com confirmação) informando que deseja exercer o direito de desistência de compra de apartamento na planta e solicitando a proposta de distrato com valores e prazos.

3. Analise a proposta

A construtora enviará uma proposta com o valor a ser devolvido. Verifique:

  • Se a multa está dentro do limite (25% ou 50%)
  • Se a devolução respeita o mínimo (75% ou 50%)
  • Se a correção monetária foi aplicada (IGPM, IPCA ou índice do contrato)
  • O prazo para receber o valor

4. Negocie se necessário

Se a proposta estiver aquém do legal, não aceite. Negocie ou busque orientação jurídica. A lei está do seu lado.

5. Assine o distrato e acompanhe

Após acordo, assine o termo de distrato. Leia com atenção. Depois, acompanhe o cumprimento do prazo de devolução. Em caso de atraso, você pode cobrar juros.

Quando a desistência de compra de imóvel na planta não gera multa?

Você pode rescindir sem pagar multa nas seguintes situações:

  • Arrependimento em 7 dias: se a compra foi feita fora do estabelecimento (estande, internet, feirão), o CDC garante devolução integral
  • Atraso superior a 180 dias: a construtora tem prazo de tolerância de 180 dias; após isso, você pode rescindir e receber 100%
  • Vícios graves ou fraude: problemas sérios no empreendimento ou na conduta da construtora podem permitir rescisão sem multa
  • Cláusulas abusivas: se o contrato tiver cláusulas ilegais reconhecidas judicialmente

Atrasos e paralisação das obras

Um dos motivos mais comuns para a desistência de compra de apartamento na planta é o atraso ou a paralisação das obras. Se a construtora não cumpre o cronograma e o atraso ultrapassa 180 dias, o comprador pode rescindir sem multa e receber 100% dos valores. Documente tudo: datas do contrato, cronograma original, fotos da obra, notícias sobre paralisação. Essas provas podem ser decisivas tanto na negociação quanto em eventual ação judicial. A desistência de compra de imóvel na planta por culpa da construtora é um direito que a lei garante expressamente.

Cessão de contrato como alternativa

Antes de optar pela desistência de compra de apartamento na planta, alguns compradores consideram a cessão do contrato — ou seja, encontrar outra pessoa para assumir a compra. Essa alternativa pode reduzir perdas, pois o valor pago até então pode ser repassado ao cessionário. Porém, a cessão depende de previsão no contrato e da anuência da incorporadora. Nem todos os contratos permitem, e o processo pode ser burocrático. Avalie com cuidado se essa opção faz sentido no seu caso.

Quando a construtora oferece condições especiais na desistência

Algumas incorporadoras, para evitar disputas e manter a imagem, oferecem condições além do mínimo legal na desistência de compra de apartamento na planta — por exemplo, devolução de 80% ou 85% quando a lei exige apenas 75%. Essas propostas podem ser aceitas, desde que estejam formalizadas e não incluam contrapartidas abusivas. Por outro lado, se a proposta estiver abaixo do mínimo legal, não aceite. A Lei 13.786/2018 é um piso de proteção: a empresa pode oferecer mais, nunca menos. Na desistência de compra de imóvel na planta, conhecer seus direitos evita aceitar condições que a lei já garante como mínimo. Sempre compare a proposta recebida com a tabela da Lei 13.786/2018 e, em caso de dúvida, busque uma segunda opinião com um profissional do direito antes de assinar qualquer documento.

Financiamento e desistência de compra de apartamento na planta

Se o apartamento foi financiado, a desistência de compra de apartamento na planta envolve também a quitação do contrato de financiamento com a instituição financeira. Em geral:

  1. O valor a ser devolvido pela construtora deve cobrir (ou ajudar a cobrir) o saldo devedor
  2. A instituição financeira precisa ser comunicada
  3. O distrato pode prever que a construtora pague diretamente ao banco ou ao comprador, conforme acordo

Cada caso é específico. Um advogado ou a própria construtora pode detalhar o procedimento.

Tabela resumo: desistência de compra de imóvel na planta

Cenário O que recebe Prazo para devolução
Distrato voluntário (com afetação) Mín. 50% dos valores pagos Conforme contrato
Distrato voluntário (sem afetação) Mín. 75% dos valores pagos Conforme contrato
Atraso > 180 dias 100% corrigido Até 60 dias

Documentação necessária para a desistência de compra de apartamento na planta

Para acelerar o processo de desistência de compra de apartamento na planta, reúna com antecedência: contrato de compra e venda, aditivos, comprovantes de pagamento (boletos, transferências, carnês), prospecto do empreendimento e toda correspondência com a construtora. Se houver atraso, inclua o cronograma original e evidências da data prevista de entrega. Quanto mais organizada a documentação, mais rápida tende a ser a análise e a proposta de distrato pela incorporadora.

Índice de correção na devolução

Os valores pagos devem ser devolvidos corrigidos monetariamente. O contrato geralmente indica o índice (IGPM ou IPCA são comuns). A desistência de compra de imóvel na planta não pode resultar em perda do poder de compra. Se você pagou R$ 50.000 há três anos, esse valor deve ser atualizado até a data da devolução. Em caso de proposta sem correção ou com índice questionável, busque orientação antes de aceitar.

Cuidados na desistência de compra de apartamento na planta

  • Não aceite multas acima da lei — exija o que a Lei 13.786/2018 garante
  • Exija correção monetária — o valor pago há anos não pode ser devolvido sem atualização
  • Documente todas as comunicações — e-mails, cartas, propostas
  • Não assine sob pressão — leia o distrato com calma
  • Considere assessoria jurídica — especialmente se a construtora resistir ou oferecer valores abaixo do legal

Conclusão

A desistência de compra de apartamento na planta é um direito garantido pela Lei 13.786/2018. Se você precisa rescindir seu contrato, conheça seus direitos, formalize a comunicação e exija os percentuais legais. A desistência de compra de imóvel na planta pode ser feita a qualquer momento, e a lei protege o comprador.


Pensando em desistir da compra do apartamento na planta? Nossa equipe especializada pode analisar seu contrato e orientá-lo. A desistência de compra de apartamento na planta segue regras claras da Lei 13.786/2018 — conhecer seus direitos é o primeiro passo para recuperar seus valores. Entre em contato para uma consulta gratuita.

Perguntas Frequentes

Como funciona a desistência de compra de apartamento na planta?

A desistência de compra de apartamento na planta segue a Lei 13.786/2018. O comprador pode desistir a qualquer momento e tem direito à devolução de 50% a 75% dos valores pagos. Se a construtora atrasar mais de 180 dias, a devolução é integral.

Quanto recebo de volta na desistência de compra de apartamento na planta?

O percentual depende do empreendimento: com patrimônio de afetação, mínimo de 50%; sem afetação, mínimo de 75%. Se houver atraso superior a 180 dias na entrega, a devolução é de 100% dos valores, corrigidos monetariamente.

A desistência de compra de imóvel na planta tem prazo?

Não há prazo limite para solicitar o distrato. A desistência de compra de imóvel na planta pode ser feita a qualquer momento. Porém, quanto antes, melhor para evitar acúmulo de parcelas pagas e reduzir o impacto financeiro.

Posso desistir do apartamento na planta se a construtora atrasar?

Sim. Se o atraso for superior a 180 dias, o comprador pode rescindir sem multa e receber 100% dos valores pagos de volta, em até 60 dias, corrigidos monetariamente.

Preciso pagar multa na desistência de compra de apartamento na planta?

Em distrato voluntário, sim, mas há limites legais: até 50% com patrimônio de afetação ou até 25% sem afetação. Em caso de culpa da construtora (atraso, vícios), não há multa.